Nacionalismo Étnico Português

Sara Tavares em 2009, numa entrevista dada ao Correio da Manhã que entretanto deixou de estar disponível na internet, referiu que “tenho muito orgulho em ser lisboeta mas faço parte desse enorme grupo que são os pretogueses“. E acrescentou: “Já nasci em Portugal. Os meus pais é que são imigrantes mas eu não renego as minhas raízes. Tanto assim é que aos 15 anos fiz questão de aprender crioulo.”
Entretanto em 2019, Joacine Katar Moreira ganhou um mandato como deputada pelo círculo de Lisboa para entrar no parlamento de Portugal nas eleições legislativas. A deputada eleita pelo Livre festejou o seu feito junto à bandeira da Guiné-Bissau, sua terra natal, e sem nenhuma de Portugal, a sua terra de acolhimento, visível por perto. Como Alberto Gonçalves refere, “o êxito dela fez-se sobre critérios totalmente alheios aos que deviam influenciar a escolha dos deputados. E foi a própria Joacine a submeter esses critérios à avaliação do público, activa ou passivamente. Joacine declarou que as legislativas iriam medir a capacidade do eleitorado em aceitar uma mulher negra na Assembleia da República. Nos tempos que correm, o estatuto de vítima, real ou imaginária, é uma virtude. É uma virtude que não esclarece coisa nenhuma acerca do que Joacine pensa e, principalmente, do programa que defenderá na Assembleia.”
Na verdade, não restam muitas dúvidas quanto ao que Joacine Moreira irá defender na Assembleia. Como podemos deduzir das palavras de Pedro Barros Ferreira, candidato do CDS por Lisboa, ao descrever a sua participação num debate sob o tema Imigração. “Como parece convir nestas situações, retirando o CDS e o PSD, os representantes dos demais partidos eram mulheres negras (PS, Livre e Bloco), um imigrante (CDU) e um ex-emigrante (PAN). Quando se concluiu a primeira ronda de questões, constatou-se que o maior problema é o mau funcionamento das instituições, nomeadamente o SEF. Em resposta, disse que o problema do mau serviço é transversal na sociedade portuguesa, seja–se imigrante, ou não. Por incrível que possa parecer, começaram aqui os ataques ao CDS, e à minha pessoa. Porquê? Porque não referi a “verdadeira razão”, subjacente aos problemas: a raça.
“A candidata do Livre, Joacine Moreira, começou por se apresentar como: gaga, negra e mulher. Tal, na minha opinião, é criticável e serve para esconder uma postura intelectual altamente demagógica, sectária e eivada de ódio racial. Começou por afirmar que não se podem comparar as falhas nos serviços, porque existe um tratamento diferente para quem é de cor. Continuou dizendo peremptoriamente que os portugueses são racistas (porque ainda não nos libertámos do colonialismo) e que as leis portuguesas são racistas.” Convém referir que o Livre, partido criado por Rui Tavares, um homem Branco, em 2014, apresenta desde sempre uma linha ideológica de repressão contra os povos Brancos, mais concretamente, o povo Branco português. Num artigo de opinião de Janeiro de 2019 publicado no jornal Público, sempre apoiante dos movimentos étnicos Negros e contra o que nomeia como “branquitude”, Rui Tavares refere que “a nostalgia política de hoje é também uma nostalgia por esse tempo em que, como dizia Martin Luther King, o racismo explicava ao homem branco que, por muito complicada que fosse a sua vida, ele era hierarquicamente superior, porque era homem, e era branco. Boa parte das admoestações para que não defendamos tanto os refugiados ou os migrantes porque a classe trabalhadora branca não gosta e pode mudar de voto é o sucedâneo desse racismo em forma de análise política.” Rui Tavares é claro nesta análise: os povos Brancos não têm direito a reivindicações culturais, sociais e territoriais, pelo contrário, têm de aceitar a sua colonização territorial e civilizacional, utilizando o racismo histórico contra o Negro como chantagem psicológica.
Já em 2017, num artigo de opinião também publicado no Público, Joacine Katar Moreira abria o jogo e declarava o Branco como o inimigo: “O racismo implica uma expressão colectiva marcada pela história, pelo poder e pelo epistemicídio africano, o que faz com que mesmo quando é protagonizado por um só indivíduo, este fá-lo com base num contexto que sustenta e demarca historicamente o seu comportamento. Um negro pode discriminar e ser preconceituoso com um branco, mas não pode ser racista com ele, porque este último não tem estruturas (históricas, politicas, económicas e sociais) que o oprimam com base no seu fenótipo.” É a desumanização do Branco e a retirada de qualquer direito a reivindicações étnicas: se o Branco é discriminado é porque assim tem de ser, justificável do ponto de vista histórico e moral. Ao Branco apenas resta aceitar a discriminação que seja alvo por parte das instituições “politicas, económicas e sociais.” A implementação do racismo institucional contra o Branco é assim legitimado e desejado pelo nacionalismo étnico Africano, tal como na África do Sul do Apartheid o foi contra os Negros ou na Alemanha Nazi foi contra os Judeus.
Francisca Van Dunem é ministra da Justiça de Portugal desde 2015, uma posição de imenso poder institucional que já ocupa há 5 anos. No início de 2020, despiu as vestes de ministra da Justiça e falou de si na na Conferência Interseccional Encarceramento e Sociedade em Coimbra: “Cada um tem a sua fonte de aprendizagem e a minha radica num quotidiano de 64 anos, transportando duas qualidades que são intrínseca e irrevogavelmente minhas: sou negra. Sou mulher.” E acrescentou, “a questão do convívio interracial e interétnico em Portugal assume hoje uma dimensão crítica. Já não chega proclamar a inexistência de problemas raciais quando eles tendem para a radicalização. É, por isso, fundamental identificar políticas justas e inclusivas, que tenham em consideração a heterogeneidade dos grupos afetados pelas diferentes formas de discriminação. Essa é a grande reparação que devemos exigir da história.” Van Dunem assume a sua identidade Negra, mais uma manifestação de nacionalismo étnico Negro em Portugal. Poderemos assumir que as diferentes etnias em Portugal são representadas por uma mulher que se identifica com a sua etnia? E que defende uma justiça baseada na etnia de cada um, como forma de “reparação”? Mas interessantemente, a mesma Francisca Van Dunem, em Junho de 2020, defendeu a fixação de um “limite temporal” para a atribuição da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus sefarditas porque “não é sustentável uma reparação histórica eterna”. E o “limite poderia ser os dez anos da entrada em vigor da lei” que permitiu a reparação histórica, ou seja, 2025, admitiu Van Dunem, que também usou o argumento contra a “mercantilização” que é feita em vários países com a nacionalidade portuguesa, como Israel, dado que dá acesso a um passaporte europeu que não exige visto para os Estados Unidos. Em nome de uma “reabilitação ou reparação histórica”, o parlamento português aprovou, por unanimidade, em 2015 uma que concedia a nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus expulsos da Península Ibérica pelo rei D. Manuel I, no século XV. Podemos especular que esta preocupação de Van Dunem poderá ser porque está a dar-se a nacionalidade portuguesa a outras etnias que não a sua, a Negra, e assim o seu projeto de “reparação da história” fica mais dificil devido à falta de maioria demográfica negra nas próximas décadas.
O significado de Joacine Katar Moreira, e Van Dunem, é, mais que individual, simbólico: é a chegada do Nacionalismo Étnico Negro ao Poder. O mesmo não é novo, é algo que existe em Portugal desde da chegada das primeiras comunidades Africanas em massa ao território após o 25 de Abril de 1974. É um pulsar normal de qualquer etnia, em qualquer parte do mundo. É preocupante para a etnia Branca em Portugal uma vez que serão os alvos do racismo deste nacionalismo, primeiro via quotas étnicas na Educação e Funcionalismo Público, de modo a os afastar da economia, educação, cultura e, por fim, da vida social. Os Brancos Portugueses, e Europeus em geral, desistiram da sua consciência étnica e entram nesta guerra cultural muito mal preparados, sem instituições ou grupos políticos e cívicos com consciência étnica Branca, de defesa e protecção da etnia contra movimentos étnicos nacionalistas contrários e das próprias instituições do Estado e sociedade civil.

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