Selar Lisboa

Esta linha circular do metropolitano é o coroar da estratégia do Manuel Salgado para Lisboa: um núcleo central com forte concentração de terciário e habitação de luxo (Eixo Central e Avenidas Novas), a que se juntam a Baixa, as colinas históricas e a frente ribeirinha, para usufruto dos turistas e residência de estrangeiros endinheirados. Fora desta cidade para os ricos e os turistas, ficam os bairros municipais, a classe média e os “enclaves” da população trabalhadora de menores recursos que ainda resiste à expulsão para as periferias. Estamos assim perante uma cidade cada vez mais dual, onde a linha circular do metropolitano só vem favorecer, acelerando, o processo de gentrificação e turisficação de Lisboa. Ao mesmo tempo deixa para as calendas gregas o serviço a bairros populares que continuam mal servidos de transportes coletivos. [Fernando Nunes da Silva, antigo vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, SOL, 2018]

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