Lusotropicalismo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi esta sexta-feira (14/06/2019) nomeado Apôh, que significa amor, e recebeu as vestes e a coroa de chefe tradicional da Costa do Marfim, o que considerou uma honra. Nesta cerimónia na sede do Distrito Autónomo de Abidjan, já sem a coroa, o pano, as sandálias, o colar e o bastão de chefe tradicional, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão, no entanto, de se declarar “muito contente de ser Presidente da República e não rei”. O Presidente da República gostou do nome. “Em Portugal dizem que eu sou o Presidente dos sentimentos, das emoções, dos afectos, da proximidade das pessoas”, referiu, num discurso de agradecimento, em francês. Assegurou que não só ele, mas “todos os portugueses e as portuguesas são assim”, e defendeu que “todos os cidadãos do mundo deveriam ser assim” e “saber compreender os outros”.

O Lusotropicalismo não morreu com o Estado Novo em Abril de 1974. Pelo contrário, adaptou-se à atual III República. Os mais altos representantes de Portugal continuam embriagados com a ideia que Portugal não é um país, mas sim um ponto de encontro dos mais variados povos sendo os portugueses os seus naturais mediadores e aglutinadores. Só isso explica que o presidente e o primeiro-ministro portugueses tivessem declarado em Junho de 2019 que Portugal está ao lado de Cabo Verde na defesa da supressão de vistos no quadro da União Europeia (UE) e da livre circulação de cidadãos na CPLP. O que obviamente resultaria no fim de Portugal no plano cultural e social: seria um país Africano ou Brasileiro em poucos anos se tal livre circulação alguma vez fosse aprovada. Mas porque desejam tal destino os dirigentes políticos portugueses? Porque a ideia civilizacional a que chamamos Portugal está esgotada e viram-se então para o globalismo do Lusotropicalismo. Esquecem-se é que o Lusotropicalismo era aplicado noutros continentes, longe da terra nativa dos portugueses, sendo que agora o aplicam no próprio Portugal. 

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