Mosteiro

Vá à rua e pergunte a todos estes que estão a encher Lisboa de merda por Virgílio e Platão. Estão em Lisboa, sabem quem é Pessoa, Camões, Saramago, Lobo Antunes, Portugal, América, Henrique, o navegador? Não fazem ideia, nem querem saber. Estão aqui porque Lisboa está na moda e é a viagem turística mais barata nas agências de viagem. Alguns de nós erguem barricadas com livros, com cultura, com memória. Educamos os filhos para que resistam, para a sua felicidade pessoal. Mas já não há salvação. O Ocidente não vai sobreviver. Somente sobreviverão os pequenos mosteiros como na Idade Média, quando os bárbaros invadem o mundo. É nesses sítios que ficam as bibliotecas. Todos temos de trabalhar, não para salvar o Ocidente, que está perdido, mas para salvar esses mosteiros onde se conservam as bolsas do bom que temos tido. Temos de educar os nossos filhos para que sejam capazes de formar o seu pequeno mosteiro, a sua pequena trincheira, o baluarte onde se reunir, ler, recordar. O esforço deve encaminhar-se para eles, salvar os que merecem ser salvos. [Arturo Perez-Reverte]

Lisboa, Portugal (2019)

Babbitt

[crítica do livro Babbitt (1922), de Sinclair Lewis, publicado por E-Primatur (2018)]
Depois do pioneiro europeu, o triunfo do Homem Americano empreendedor e bom cristão: Babbitt. No começo dos anos 20 do século passado, Sinclair Lewis percebeu os desafios culturais, morais e sociais que a nova aliança entre industrialização, tecnologia e velha Banca iriam trazer, quer à sociedade no seu todo, quer ao indivíduo na sua vida quotidiana. Babbitt é um relato do passado dos EUA e uma alegoria para o futuro do mundo globalizado.