A Reforma da Primeira Liga

O campeonato português de futebol tem um problema: o país está falido, sem pessoas, sem recursos e sem perspectivas que algo mude nas próximas décadas. Assim sendo, a única alternativa é adaptar a primeira liga de futebol ao país existente, tentando extrair o máximo possível do mesmo, sem esquecer que os clubes ainda participam na Taça da Liga e na Taça de Portugal.
Vamos comparar o músculo populacional da liga portuguesa com outras ligas europeias. Em França existem 20 clubes para 66 milhões de habitantes (3.3 milhões / clube), em Espanha existem 20 clubes para 46 milhões de habitantes (2.3 milhões / clube), na Alemanha existem 18 clubes para 81 milhões de habitantes (4.5 milhões / clube) e, finalmente, em Itália existem 20 clubes para 60 milhões de habitantes (3 milhões / clube). Em Portugal existem 18 clubes para 11 milhões de habitantes (620 mil / clube). 
Actualmente participam 18 clubes que fazem no total 34 jogos por época. Na época 2016/17 os estádios receberam 3.622.372 de adeptos, o que dá uma média superior a 11.800 por encontro. Contudo, a média é inflacionada pelos números dos três ditos grandes do futebol português: apenas o V. Guimarães consegue juntar-se-lhes com um registo de assistências acima da média (18.756 por jogo). Os 51 jogos na Luz, Dragão e Alvalade atraíram 2.309.507 espectadores (média de 45.284), enquanto nos 255 jogos disputados nos restantes estádios estiveram 1.312.865 de pessoas nas bancadas, à média de 5148 por encontro.
Só existe uma opção possível: reduzir o número de clubes na primeira liga para 12 e acabar com a Taça da Liga. Todos os anos desciam os últimos 2. Assim, Portugal ficaria com um rácio de 920 mil habitantes por clube (um número ainda bastante baixo quando comparado com a Alemanha). A primeira liga teria 40 jogos pois seria disputada a 4 voltas. Tudo ficaria melhor: os melhores clubes jogariam mais entre eles, o número de jogos com interesse seriam a maioria, duplicava-se o número de derbies, mais audiências das transmissões televisivas, etc. No final, mais receita para os clubes, melhores jogadores, mais respeitabilidade da liga portuguesa, melhores hipóteses de competir na Europa. Devemos promover o que é bom e não afogar todos num oceano de mediocridade.

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