Linha Azul: Reboleira – Hospital

(obra de gui5000, SkyscraperCity)

Terá de se terminar a ponta solta da linha azul, actualmente na Reboleira, Amadora. Como num dos planos oficiais do metropolitano de Lisboa, o objetivo será chegar ao Hospital Amadora-Sintra. Terão de ser construídas duas estações, uma no cruzamento com o Borel e outra no Hospital. O Hospital é um dos maiores de Portugal e com mais utentes, pelo que seria uma óbvia mais valia para dezenas de milhares de portugueses. Seria também a primeira estação na fronteira com o município de Sintra.

Prolongamento Reboleira-Borel: a maior dificuldade aqui será o declive e uma curva acentuada, visto que o cais de resguardo da Reboleira é em linha reta. Possivelmente a estação do Borel terá de ser mais profunda que o normal. Prolongamento Borel-Hospital: Este prolongamento poderá ser feito parcialmente à superfície. Depois de passar o bairro do Borel, seria feito um viaduto por cima da IC-19 e a estação seria feita numa plataforma elevada, como o Campo Grande. Seria uma estação terminal, com vários términos para os comboios.

Traçado entre a Reboleira e o Borel
Traçado entre o Borel e o Hospital
Estação do Hospital Amadora-Sintra

Adeus Portugal

Após 1974, o Estado de Lisboa ficou reduzido a Portugal continental, Madeira e Açores. Mas mesmo assim, o mesmo Estado vê-se incapaz de governar e controlar (militarmente, judicialmente, economicamente, culturalmente, socialmente) o pequeno território a que está confinado. 
Em 2016 sucederam-se as notícias do Estado de Lisboa a falhar nas suas funções em várias regiões. Os médicos portugueses recusaram as vagas para exercer no sul e interior do país. Das 73 vagas abertas para médicos no Algarve, 31 ficaram por preencher. No interior do país, o cenário é ainda mais crítico. Em 61 vagas abertas por três hospitais do interior, apenas nove foram preenchidas. Mais dinheiro, mais férias e garantias de transferências dos filhos das escolas não foram incentivos suficientes para captar médicos para estas regiões. A norte, a CP reconhece dificuldades em ajustar oferta e procura na linha do DouroA CP lembra que está condicionada pelos “constrangimentos financeiros que o país atravessa.” A reação da CP surge depois dos operadores turísticos do Douro criticarem o “mau serviço” da transportadora ferroviária, queixando-se das “consequências negativas” nas empresas e no turismo na região. “Continua a haver ligações suprimidas em cima da hora, sobrelotação das carruagens, faltas de manutenção e avarias recorrentes do material circulante, falhas nos sistemas de ar condicionado e o recurso reiterado a autocarros que fazem por via terrestre o percurso que milhares de turistas antecipadamente escolheram fazer por ferrovia”, lamentam as operadoras Barcadouro, Rota Ouro do Douro e Tomaz do Douro. De todos os professores do país em mobilidade especial por doença, 10% estão em Bragança. O Delegado Regional de Educação do Norte admite que o elevado número de pedidos de mobilidade por doença de professores do distrito de Bragança “é um problema grave” e que a situação “é estranha”. “Podemos ser mais ou menos cépticos mas não contestamos a legalidade do acto médico. É apenas estranho”, sublinha. “Estas coisas não se resolvem por despacho nem por decreto. Nem tão pouco se pode pensar que a repressão é solução.”

Já em 2017, o Estado de Lisboa descambou por completo. Recordemos que a função número um de um Estado-Nação é manter a segurança dos seus cidadãos. Mas no fogo de Pedrógão Grande morreram 64 pessoas nas suas casas, carros ou simplesmente a fugir dos fogos. O troço de estrada em que morreram 47 pessoas distava apenas um quilómetro do cruzamento do IC8 onde a GNR estava a controlar. O SIRESP, sistema de comunicação para emergências, voltou a falhar completamente. Nada funcionou. Nas forças armadas portuguesas, as suas armas são roubadas em TancosFonte policial adiantou ao jornal que foram roubadas 44 lança-granadas, quatro engenhos explosivos, 120 granadas ofensivas, 20 granadas de gás lacrimogéneo e 1500 munições de calibre 9mm. O comunicado do Exército dava conta do desaparecimento de cerca de uma centena de granadas de mão ofensivas e munições de calibre 9 milímetros. Os autores do roubo terão cortado a rede para entrar na zona militar, num local sem videovigilância. E, pior, os desafios de uma fábrica social multiétnica ultrapassa por completo a ideia de uma Portugalidade homogénea construída pelo Estado Novo e que ainda hoje serve de compasso a muita gente. Os acontecimentos de 2015 relatam que um grupo de cerca de 10 jovens tentou invadir a esquadra da PSP de Alfragide na sequência da detenção de um jovem que atirou uma pedra contra uma carrinha policial. Na sequência da detenção, os restantes jovens, com idades entre os 23 e 25 anos, “tentaram invadir” a esquadra. Foram detidos cinco elementos do grupo e os restantes fugiram. Esta versão é contrariada pelos jovens que se queixam de agressões, tortura e discriminação racial por parte dos agentes da PSP.

Resumindo: as tragédias expõem de forma dramática o abandono a que está votado Portugal. Vimos o fosso entre um país urbano, pendurado nos direitos e desabituado a ter deveres, e um país que vive entregue a si próprio, esquecido. Quem vive fora das grandes cidades já sabe há muito que há o país de Lisboa e do Porto, onde os políticos falam para quem lhes dá votos, com especial relevo para os funcionários públicos, e concentram-se no politicamente correcto. Esperava-se que as autarquias conseguissem preencher essa falha mas ou não têm competências ou alinham pelo discurso e a acção dos políticos da corte de Lisboa. 

Acredito no potencial, valores e capacidades de muitos dos povos que habitam Portugal. Acredito que ainda possam construir algo bonito. Mas o lugar de Portugal como ideia civilizadora é no museu, junto das grandes civilizações cristãs europeias. Depois dos Romanos, dos Mouros e dos Portugueses, está na altura de nova civilização nesta gloriosa faixa atlântica ibérica, seja ela qual for.

 
Padrão Português da Namíbia (1486), Deutsches Historisches Museum

Estou Cansado

Dói. Dói bastante. Ver os nossos amigos, os nossos companheiros de fim de semana, os nossos guerreiros de batalhas em Portugal e na Europa, com quem partilhámos alegrias e tristezas, desilusões e glória, abandonarem a nossa pátria ano após ano. E nós assistimos impotentes, como se fosse o nosso triste e inevitável fado. Em 2017 já perdemos o Nelson Semedo para o Barcelona, o Ederson para o Manchester City e o Victor Lindelof para o Manchester United. Nos últimos anos perdemos Renato Sanches, Gaitan, Matić, Javi García, Enzo Pérez, Di María, David Luiz, Oblak…
Chega, não aguento mais! Somos o Benfica, somos milhões em Portugal e mais uns quantos milhões espalhados pelo mundo. O nosso emblema, a nossa fé, o nosso suor e lágrimas, que fizeram e fazem todos os dias esta nação merece mais e melhor. Não vamos morrer numa faixa atlântica pobre, envelhecida e sem qualquer perspectiva de futuro. Sejamos pragmáticos: vamos jogar na liga de Espanha! Com as receitas da publicidade e das transmissões televisivas, e todo um Portugal a nos apoiar, poderíamos não apenas ganhar títulos, como chegar novamente à glória europeia. O Atlético de Madrid nos últimos quatro anos foi a duas finais da Liga dos Campeões e, com todo o respeito pelo clube, nós temos tudo para, se não maiores, sermos iguais ao mesmo. Vamos sonhar, jogar com Barcelona, Real Madrid, Valencia, Atlético Madrid, em cada fim de semana, vamos ganhar músculo financeiro, vamos ganhar atratividade, vamos ganhar competitividade. E, mais importante, vamos manter a nossa família unida, vamos não perder os nossos todos os anos, vamos ser Mística, vamos continuar a missão de Cosme Damião nascida na Farmácia Franco em 1904. Nascemos em Lisboa para conquistar o mundo e não para morrer nesta cidade. 

O Benfica é o Big Bang

(inspirado em O Benfica é o Big Bang e O outro nome do Benfica é amor, ambos do Ontem vi-te no Estádio da Luz)

É-me estranho ler sobre o mundo anterior a 1904. As pessoas que existiram, os livros que escreveram, as brigas que tiveram, os quadros que pintaram, as músicas que inventaram, os dias sob o Sol de costas arqueadas, as cartas profundas que – a pena, a giz, a sangue – escreveram, os amores que sentiram, as fomes, as tristezas, as guerras, os desvarios. Que espécie de humanidade era aquela, sem Benfica? Como pode Fernando Pessoa escrever tamanha obra celestial sem ter provado as bifanas das barracas de madeira, ter abraçado desconhecidos sob a chuva, chorado desalmadamente uma derrota, envergado cachecóis e mantos sagrados, ter acalmado desamores na ternura do voo da águia, ter desistido de amigos por questões de paixão, ter vibrado e sonhado com golos do Benfica? Como Deus e outras patranhas similares, a invenção de que o Benfica nasceu em 1904 advém de uma necessária ilusão para que as notas toquem todas ao mesmo tempo e façam sentido. O Benfica não nasceu em 1904, o Benfica já existia muito antes de haver escritas e livros e pinturas e noções básicas de civilização. Festejemos, no entanto, o último dos humanos: Júlio Cosme Damião, o autor da proeza genial, e rara, de dar vida a um sentimento que percorre milénios de humanidade e existência. Naquela reunião na Farmácia Franco, Cosme nunca falou do Cosmos, limitou-se, bem, a inventar o Benfica. Agradeçamos, em devida vénia, respeito e amor, ao nosso ilustre bigodudo por isso. Não esquecendo, que o Benfica nasceu antes dos astros. O Benfica é o Big Bang.

O Benfiquismo é uma ideia suprema. O Benfiquismo existe como a água existe, como existem os grandes oceanos, as ondas do mar, as areias, as montanhas, o amor. No Benfica não há formas nem fórmulas nem verdades universais. Há muitos Benfiquistas e há muitos Benfiquismos, nenhum deles o mais certo porque ainda não foi encontrado o molde que represente o que é o Benfica. Nós não somos do Benfica por decreto divino ou escolha evolutiva essencial. Somos do Benfica porque não há outra forma de existência. Ninguém nos mandou ser do Benfica; fomos lançados para ser do Benfica e somo-lo com todo o orgulho e amor do mundo. Porque o Benfica é vermelho e branco. Porque isso nos envaidece. Somos do Benfica antes de sermos do Benfica. Já éramos do Benfica e ainda nem sequer sabíamos que éramos do Benfica.

A Reforma da Primeira Liga

O campeonato português de futebol tem um problema: o país está falido, sem pessoas, sem recursos e sem perspectivas que algo mude nas próximas décadas. Assim sendo, a única alternativa é adaptar a primeira liga de futebol ao país existente, tentando extrair o máximo possível do mesmo, sem esquecer que os clubes ainda participam na Taça da Liga e na Taça de Portugal.
Vamos comparar o músculo populacional da liga portuguesa com outras ligas europeias. Em França existem 20 clubes para 66 milhões de habitantes (3.3 milhões / clube), em Espanha existem 20 clubes para 46 milhões de habitantes (2.3 milhões / clube), na Alemanha existem 18 clubes para 81 milhões de habitantes (4.5 milhões / clube) e, finalmente, em Itália existem 20 clubes para 60 milhões de habitantes (3 milhões / clube). Em Portugal existem 18 clubes para 11 milhões de habitantes (620 mil / clube). 
Actualmente participam 18 clubes que fazem no total 34 jogos por época. Na época 2016/17 os estádios receberam 3.622.372 de adeptos, o que dá uma média superior a 11.800 por encontro. Contudo, a média é inflacionada pelos números dos três ditos grandes do futebol português: apenas o V. Guimarães consegue juntar-se-lhes com um registo de assistências acima da média (18.756 por jogo). Os 51 jogos na Luz, Dragão e Alvalade atraíram 2.309.507 espectadores (média de 45.284), enquanto nos 255 jogos disputados nos restantes estádios estiveram 1.312.865 de pessoas nas bancadas, à média de 5148 por encontro.
Só existe uma opção possível: reduzir o número de clubes na primeira liga para 12 e acabar com a Taça da Liga. Todos os anos desciam os últimos 2. Assim, Portugal ficaria com um rácio de 920 mil habitantes por clube (um número ainda bastante baixo quando comparado com a Alemanha). A primeira liga teria 40 jogos pois seria disputada a 4 voltas. Tudo ficaria melhor: os melhores clubes jogariam mais entre eles, o número de jogos com interesse seriam a maioria, duplicava-se o número de derbies, mais audiências das transmissões televisivas, etc. No final, mais receita para os clubes, melhores jogadores, mais respeitabilidade da liga portuguesa, melhores hipóteses de competir na Europa. Devemos promover o que é bom e não afogar todos num oceano de mediocridade.

Eternal Recognition

Hitler dismissed a return to the boundaries of 1914 as a false goal for Germany, because boundaries are arbitrary: one is not morally entitled to them, one simply takes them if one can. “The reality of a nation having managed a disproportionate acquisition of territory is no superior obligation for its eternal recognition. It proves at most the might of the conqueror and the weakness of the victim. And, moreover, this might alone makes it right,” Hitler wrote. (David A. Welch)
John Gast, American Progress, 1872

Wabi-sabi

Wabi-sabi is a concept in traditional Japanese aesthetics constituting a world view centered on the acceptance of transience and imperfection. The aesthetic is sometimes described as one of beauty that is “imperfect, impermanent, and incomplete.”

The Experience of Beauty

Psychological adaptations are complex behavioral patterns built into our minds over many generations. The same forces that select genes for physical features of the body also select genes for features of the brain to carry out functions that ultimately give the organism a reproductive advantage. For example, our general experience of beauty is the result of a loose ensemble of evolutionary adaptations. What ties different people, places and proofs together into the experience of beauty is that our ancestors, who happened to find pleasure in these objects, were the people who had more children. [The Aesthetic Brain: How We Evolved to Desire Beauty and Enjoy Art (2013), Anjan Chatterjee]
The Roman Festivals of the Colosseum, Pablo Salinas