Os Especialistas

Em 1988, Philip Tetlock, um jovem psicólogo canadiano, lembrou-se de contactar mais de 200 pessoas em todo o mundo, todas elas especialistas de grande reputação em temas políticos e económicos. Ao longo de 15 anos, colocou-lhes perguntas sobre esses temas, pedindo-lhes que atribuíssem probabilidades a diferentes cenários sobre o futuro próximo. Quem iria ganhar as próximas eleições nos seus países? Que evoluções antecipavam para uma série de indicadores económicos? Que conflitos militares deveríamos esperar? Em 2005, Tetlock apresentou os resultados desta singular experiência no livro Expert Political Judgment. A principal conclusão? Em média, a capacidade destes especialistas para preverem o futuro próximo nas matérias que dominam é semelhante à de um chimpanzé a atirar dardos a um alvo. A quem quiser igualar o desempenho médio de alguns dos maiores especialistas mundiais em matérias políticas e económicas basta-lhe dar palpites à sorte. É difícil não olhar para ele como uma denúncia do espaço comunicacional em países como os Estados Unidos ou, por exemplo, Portugal: um espaço onde pululam “especialistas” e “profetas” que nos comunicam convictamente todo o tipo de certezas, sendo depois recompensados mais pelo seu “valor de entretenimento” do que pela precisão das suas afirmações.

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