O Poder da Roupa

O uso do burquíni foi proibido em Cannes e Villeneuve-Loubet, na Côte d’Azur, e em Sisco, na Córsega. Outros municípios do país, como na costa norte da França, anunciaram desejar aprovar medidas idênticas. A polémica agravou-se depois de se ter verificado uma violenta rixa em Sisco, na ilha da Córsega, entre famílias de origem magrebina e outros residentes hostis ao burquíni, que algumas mulheres muçulmanas vestiam numa praia. “Querem que fiquemos invisíveis”, disse uma mulher com véu aos jornalistas, em Nice, onde a 14 de julho de 2016 um radical islâmico cometeu (com um camião) uma das mais atrozes chacinas de que há memória no Ocidente: 84 mortos e dezenas de feridos.

Nos EUA durante a segunda guerra, restaurantes japoneses eram fechados por representarem culturalmente o inimigo. A coca-cola e outras referências capitalistas eram fortemente restringidas na URSS. A história está cheia de civilizações que tentam proibir ou afastar do público símbolos do inimigo cultural. É assim que deve ser interpretado a proibição do burqini. Por isso fazem pouco sentido os paralelos com fatos de surfistas ou com freiras. O burqini e o fato de surfista podem ser semelhantes no que tapam mas não no que representam. E é no que representam e na forma como os outros o vêem é que está o problema. Com as devidas distâncias ir de burqini a uma praia de Nice causará o mesmo impacto nos presentes, tendo em conta as devidas proporções, que entrar numa sinagoga com uma suástica tatuada. É apenas por aqui que deveremos entender esta proibição. 

Já em 2015, os Camarões tinham colocado um fim às burqas e véus que cubram completamente o rosto das mulheres para prevenir o terrorismo. Também o Gabão, Chade e o Congo implementaram medidas semelhantes na sequência de ataques suicidas na região.


Isto é para mim!

O panorama é assustador. Se a idade da reforma não parar de aumentar, daqui a duas décadas podemos mesmo ter que chegar quase aos 70 anos para nos podermos reformar. A situação é mais gravosa quando pensamos no envelhecimento da população, e não nos esqueçamos de que Portugal é o país da Europa com maior envelhecimento. Na base do problema está o regime de repartição vigente em Portugal. “Ninguém paga para a sua própria pensão. Na Segurança Social, a única coisa que entra são as contribuições dos cidadãos que saem imediatamente para pagar pensões, não gerando qualquer rendimento. O Fundo de Estabilização está a ser utilizado para determinados investimentos, foi em dívida pública, agora é em imobiliário para habitação social, não podendo assim garantir os ganhos previstos para a Segurança Social e que permitiriam ajudar a alguns défices que ocorrem e que só são ultrapassados com injecções do Orçamento do Estado”, explica Filomena Salgado Oliveira.

O problema é que este sistema de segurança social é inspirado na própria psique do povo português: “o outro trabalha, o Estado rouba e eu recebo”. Três investigadores estudaram os comportamentos de quem trabalha e de quem está ou ficou sem emprego e concluíram que houve um aumento da vontade de intervenção do Estado nos apoios sociais, mas não acompanhado por uma vontade de os portugueses pagarem mais impostos para suportar esse aumento.
Segurança Social, Lisboa