Universidade XXI

O melhor curso é aquele que dará ao jovem o emprego com que, um dia, possa pagar as férias sem pedir dinheiro aos pais. Parece a escolha sensata. É, de facto, a pior escolha possível. Não só porque o mercado pode mudar em três ou quatro anos, mas porque seleccionar um curso para que não temos vocação, só porque nos últimos tempos os seus diplomados encontraram empregos, aumentará a probabilidade de não sermos muito bons numa área a que muita gente vai concorrer. Desse ponto de vista, a escolha não deveria depender do que “está a dar”, mas da resposta a esta pergunta: onde e como é que eu posso estar entre os melhores? Mas não chega. Há que ter em conta que no sistema actual, a escolha segundo a área que me interessa pode servir apenas para eu acabar numa instituição medíocre, onde por acaso estão as vagas ao alcance da minha média. Ora, nenhuma vocação, por mais forte, resiste a maus professores e a más condições de trabalho. Mas quantos dos candidatos se empenham em descobrir que professores irão ter, se optarem por determinado curso? Escolhemos um curso, às vezes uma instituição de ensino, e depois aguentamos os professores que por acaso lá ensinarem.

Campo Grande, Lisboa

Não existem Startups em Portugal

Não existe tal coisa como startups em Portugal. Se existir, é uma fenômeno temporário facilmente resolvido quando a startup é incorporada noutro país da UE para fugir aos impostos (e legislação) portuguesa. Tive a triste experiência de tentar fazer negócio em Portugal há anos atrás e a experiência ficou gravada na minha memória. A ideia da startup, tipo dois gajos numa garagem a fazer uma cena fixe, “à EUA”, é absolutamente impossível existir em Portugal. A menos que estejamos a pensar em dois gajos numa garagem a fazer uma cena fixe, mais um contabilista, um advogado, e toda a gente a pagar Segurança Social. Eventualmente a conclusão cristaliza-se na nossa mente, a que trabalho honesto em Portugal é mais ou menos inútil. O sistema fiscal, judicial estão feitos não para as pessoas criarem valor mas sim para extrair valor dos cidadãos para um Estado que controla tudo e tem maior semelhança com a Máfia Italiana do que com os Governos de Rousseau.

As tecnológicas financeiras, fintech, criadas por empreendedores portugueses estão a dar nas vistas no estrangeiro. Ganham prémios e galardões internacionais e estão bem colocadas nos rankings europeus. A maioria das fintech lusas tem (ou quer ter) um escritório em Londres para testar a sua oferta e estar no epicentro dos vultosos investimentos que têm sido feitos no sector nos últimos anos. Não foi por acaso que a Seedrs, uma conhecida plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo) fundada pelo português Carlos Silva, e a Syndicate Room, fundada por Gonçalo de Vasconcelos, decidiram ter a sede em Londres.

Mein Kampf

[crítica do livro Mein Kampf – A Minha Luta (1925), de Adolf Hitler, publicado por E-Primatur (2015)]
Mein Kampf é ler a História do III Reich e da Segunda Guerra Mundial vinte anos antes destes terem acontecido. A violência política, o genocídio, a anexação de territórios na Europa, foi tudo conceptualizado, sistematizado e justificado do ponto de vista teórico e histórico neste livro. Hitler chega mesmo nas últimas páginas do livro a defender à submissão “de gases asfixiantes uns doze ou quinze mil desses judeus”, uma clara manifestação de intenções que mesmo assim não o impediram de anos mais tarde ganhar eleições democráticas. Apesar das constantes repetições, o racismo virulento, as conclusões alucinadas, as bases do movimento nacional-socialista são solidamente estabelecidas: destruir a democracia, implementar uma sociedade de guerra e conquista permanente, aniquilar qualquer oposição, consagrar a raça alemã como dona e senhora do mundo. Escrito do ponto de vista alemão, pergunto-me se mais que um fenómeno histórico, o mesmo não representa um pulsar da Humanidade que se manifesta de diferentes formas em diferentes épocas.