O que corre mal na mobilidade de Lisboa?

O SATU de Oeiras foi inaugurado em junho de 2004 e pretendia ligar a estação ferroviária de Paço de Arcos (linha de Cascais) à estação ferroviária de Cacém (linha de Sintra). As duas primeiras fases, indissociáveis no projeto, levariam o SATU até ao parque empresarial do Lagoas Park, a terceira chegaria ao TagusPark e finalmente a quarta ao Cacém, já no concelho de Sintra. Mas a obra nunca passou do Centro Comercial Oeiras Parque, que fica a apenas 1.200 metros de Paço de Arcos.


Logo depois da inauguração da primeira fase, a Teixeira Duarte estaria disponível para investir os cerca de oito milhões de euros que faltavam para que o SATU chegasse ao Lagoas Park, mas isso nunca aconteceu porque a Câmara nunca conseguiu mobilizar os 13 milhões que correspondiam à sua parte. Paulo Vistas, o atual presidente da Câmara de Oeiras, desabafa: “Não avançou porque não houve vontade política para que aquele projeto pudesse candidatar-se aos fundos comunitários”.

Em 2009 chegou a haver um protocolo com a Câmara de Sintra para conseguir concretizar o resto da obra até ao Cacém, mas a parceria esfumou-se com a eleição de Basílio Horta do PS que diz ter “outras prioridades, nomeadamente sociais“. O argumento não colhe junto de Paulo Vistas. “Isto é que é social, o SATU. Estamos a falar de áreas com rendimentos médios mais baixos e no próprio Tagus Park e Lagoas Park há muita mão de obra indiferenciada, pessoal de limpeza, jardineiros, estudantes….”

O balde de água fria para a Câmara de Oeiras e para a empresa SATU chegou em 2014, quando o governo do PSD de Passos Coelho não deu luz verde para que o projeto se pudesse candidatar aos fundos comunitários.
A última oportunidade para salvar o SATU poderá ser a eventual concessão da Linha de Cascais a operadores privados, que possam ter interesse em receber, também, por atacado, mesmo. E claro, que tenham interesse em expandir a linha além dos 1.200 metros atuais, para que esta tenha maior utilidade.

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