Submissão

[crítica do livro Submissão (2015), de Michel Houellebecq, publicado por Alfaguara Portugal]
Em Submissão, François narra a sua vida solitária e aborrecida de professor universitário, que sem problemas de maior, contenta-se ao ter sexo ocasional com as suas alunas. Melancolicamente vai estabelecendo uma comparação entre o seu vazio existencial e a sua decadente civilização pós-cristã francesa; e por isso mesmo, não é com horror que vê o Islão assumir tranquilamente o comando da França, impondo-se não só pela força da sua demografia como também pelos seus ensinamentos. O autor, Houellebecq, não se preocupa em elaborar as suas profecias e não toca em temas como o racismo, xenofobia ou feminismo, apenas está interessado na análise do ponto de vista civilizacional da transformação da França em Estado Islâmico, apresentando-a como a sua possível salvação e até da própria Europa. Uma poderosa reflexão filosófica sobre a atual civilização francesa e seu futuro, que apenas peca no seu exagerado optimismo.

Leave a Reply