O Big Crunch

Segundo o INE, entre 2001 e 2011 Portugal perdeu meio milhão de jovens com idades entre os 15 e 29 anos. Já em 2013, Portugal registou a taxa de natalidade mais baixa da União Europeia, de 7,9 crianças por mil habitantes. Para 2020 segundo a Moody’s, Portugal deverá entrar no grupo dos países “super-idosos”, com um índice de envelhecimento de 307 idosos por cada 100 jovens em 2060.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou as estatísticas de emprego do quatro trimestre de 2014, tendo-se identificado a existência de cerca de 4.5 milhões de trabalhadores em Portugal. Desses, cerca de 45% têm mais que 45 anos e cerca de 21% têm entre 25 a 34 anos. Mesmo considerando que os 160 mil desempregados entre os 25 e 34 anos entrassem hoje no mundo do trabalho, a percentagem apenas subiria para 24%. Ou seja, quando a geração com idade superior a 45 anos se reformar, existirão menos 900 mil trabalhadores na geração seguinte.


Poderíamos chegar então à conclusão que Portugal é um país com falta de trabalhadores. Nada mais falso. É um país em que 35% dos seus jovens com menos de 25 anos não conseguem arranjar trabalho. Agora, se há menos jovens, porque é que estes têm cada vez mais dificuldade em arranjar emprego? Porque há uma coisa que tem diminuído ainda mais que os jovens: os empregos disponíveis para estes. Talvez, para o que este pedaço de terra consegue suportar, até ainda existam jovens, e população, a mais.


As instituições portuguesas em vez de se adaptarem, sobrecarregam ainda mais os jovens que por cá ficam. Os advogados estagiários vão ser obrigados a pagar todos os meses à Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores, mesmo aqueles que não são remunerados. As novas regras pretendem evitar o colapso financeiro da segurança social dos advogados portugueses. O presidente da Associação Nacional dos Jovens Advogados relembra que “a maioria dos estagiários nem ganha um ordenado”, excepção feitas aos grandes escritórios. Em 2014, Tribunal Constitucional já tinha também chumbado cortes permanentes nas pensões.

E aos poucos, vários sectores da economia começam a dar sinais do “crunch” eminente. Em 2015 venderam-se quase 86 mil casas usadas, o valor mais alto nos últimos sete anos. Mas novas foram pouco mais de 21 mil. A razão? Não há reposição de stocks. Para Luís Lima, “o usado só é vendido porque não há novo. Não tem havido renovação de stocks e há zonas de Lisboa e do Porto, como o Parque das Nações ou o centro histórico, respetivamente, que já quase não têm oferta.” E porquê? “Porque não há novos empreendimentos, não há construção. Os promotores portugueses desapareceram”, disse. Então e as reabilitações? É verdade que quando se reabilita, as casas passam a ser consideradas novas, mas diz Luís Lima que esses imóveis quase não vão para o mercado porque são poucos e caros e são logo absorvidos, mais por estrangeiros do que por portugueses.

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