Aqui Não Se Chumba

No Agrupamento de Escolas de Carcavelos a regra é clara: Aqui não se chumba. “Em Portugal o chumbo é encarado como um castigo para o aluno que não trabalha. Mas na maioria dos casos não funciona. Se não comeram a sopa da primeira vez, não é por lhes servirmos uma segunda, exactamente igual, que vão passar a comer”, declara o director Adelino Calado. É um exemplo do modelo defendido pelo órgão consultivo do Ministério da Educação, o Conselho Nacional de Educação, semelhante ao que vigora em países como a Finlândia ou a Noruega. Jorge Ramos do Ó, especialista em História e Psicologia da Educação, concorda: “Chumbar só serve para produzir culpa nos que reprovam, ao mesmo tempo que desresponsabiliza a escola.”


Já no ano passado (2014) o Banco de Portugal tinha defendido o mesmo quando o seu Departamento de Estudos Económicos concluiu que “a retenção numa fase inicial da vida escolar parece ser prejudicial para o desempenho educativo a longo prazo” e sublinhou que “poderá haver vantagem em substituir esta prática por programas alternativos de apoio” aos estudantes com mais dificuldades. Também em 2012 a direcção da Educação da OCDE apontou que a reprovação é “uma prática que permite aos professores reduzir a sua expectativa em relação ao desempenho dos alunos”. A investigação sobre o assunto mostra que a reprovação “é uma medida ineficaz, custosa e que certamente não está centrada no objectivo de fazer progredir o aluno na sua aprendizagem”.


Enumeremos então os axiomas necessários para reestruturar o ensino em Portugal:

  1. Divisão em 3 ciclos: Primário (1º ao 4º ano), Básico (5º ao 9º ano) e Secundário  (10º ao 12º ano);
  2. Ensino obrigatório até ao final do Básico, o 9º ano;
  3. Fim das reprovações até ao final do Básico, o 9º ano. Cada aluno recebe na escala de 1 a 5 a nota que merece para o seu desempenho sem que isso o faça ficar retido;
  4. Organização do Secundário em dois semestres, à imagem do ensino universitário;
  5. Fim dos exames nacionais obrigatórios para concluir o Secundário;
  6. Os exames nacionais apenas seriam feitos como exames de acesso ao ensino universitário, tendo em conta as exigências de cada universidade, as quais cada aluno devia saber antecipadamente e se adaptar.
Winding the skein, Lord Frederic Leighton 

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