Ciência do Desperdício

“O investimento em Ciência e Tecnologia em Portugal passou de 0,5% do PIB em 1995 para 1,5% em 2011″, refere o livro “Ciência e Tecnologia em Portugal – Métricas e Impacto”. Acrescenta também que “o número de novos doutorados por cem mil habitantes aumentou de 5,7 para 17,5 entre 1995 e 2011”. Mas os autores alertam para a cautela com que se devem analisar estes dados. “Estes números não nos devem iludir. Portugal continua abaixo da média da União Europeia em aspetos fundamentais da sua atividade científica, tais como a quantidade e qualidade da sua produção científica e tecnológica.” Além disso, há pouca transmissão do conhecimento para as empresas, um reduzido número de patentes e poucos doutorados a trabalhar nas empresas. Como o tecido empresarial não escoa a mão-de-obra qualificada, 80% continuam ligados à academia e muitos acabam por emigrar.


Uma tese de doutoramento da Universidade de Coimbra constata que a maioria dos doutoramentos portuguêses surgem alavancados pelo desemprego, o que leva a que estejam associados a investigação “por necessidade”, ao invés de “por vocação”, indiciando que não contribuem nem para o crescimento do conhecimento, nem para o desenvolvimento da economia.

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