Lisboa é uma Região

Trajectórias Residenciais é um projeto de uma equipa de investigadores do ISCTE que procura aprofundar o conhecimento sobre as trajetórias residenciais da população que reside ou já residiu na Área Metropolitana de Lisboa. Em Portugal, o processo de urbanização, que tem início na década de 50, atinge o seu auge na década seguinte, entrando pelos “conturbados” anos 70. Era nas periferias ou nos limites periféricos da cidade que se construíam os “novos bairros”, de habitação colectiva ou de moradias, frequentemente clandestinas. A periferização é pois, aqui e em qualquer parte de mundo, uma inevitabilidade da constituição da própria metrópole, a condição sine qua non à expansão territorial e humana que a caracteriza. Num lento processo de “contágio” social que se vai expandido ao ritmo das transformações sócio-culturais, a palavra periferia ganha um tom valorativo, leia-se depreciativo, mais do que designativo. Hoje, o enaltecimento da urbanidade por oposição à suburbanidade é o referencial dominante entre quem pensa, faz e gere a cidade. A absolutização deste referencial, ao dispensar análises mais ligadas às práticas e subjetividades individuais, alimenta um discurso em torno das lógicas de ocupação do espaço metropolitano que se esgota em 2 argumentos, entendidos como constrangimentos estruturais impostos pela oferta: i) as pessoas terão sido forçadas a sair da cidade; ii) e nela não residem, nomeadamente no centro, “apenas” porque não podem. 

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