Os Donos da Língua

Nos próximos dez anos seremos 300 milhões a falar português. Quem manda no português é quem o utiliza. Aos portugueses resta fazer uma escolha, ou seguem as tendências das nações pujantes demograficamente, ou resignam-se a ter uma versão latinizada do português num canto da Europa: população portuguesa voltou a diminuir em 2012. O Acordo Ortográfico fez a escolha correta, resta aos portugueses fazerem a sua.

Apesar de ser hoje um septuagenário, mantenho o meu espírito em bom estado, acompanho o meu tempo e continuo com vontade de ajudar o meu país a progredir. Como professor leccionei durante décadas Português no estrangeiro, principalmente na Alemanha, e Língua Portuguesa para Estrangeiros na Faculdade de Letras. Compreendi que o Português só poderá ter valor como língua importante quando deixar de ter variações locais em diferentes continentes. E descobri também que quase todos os alunos estrangeiros queriam afinal aprender Português para futuras ligações, integrações e negócios com o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Macau, Timor etc e também para poderem depois ensinar Português nos seus próprios países. A relativamente poucos interessa aprender o “Português só de Portugal”: só para turismo de férias, namoro ocasional, segunda residência de estrangeiros reformados ou falso casamento negociado para permitir a entrada na Europa. Esta descoberta surpreendeu-me e causou-me problemas, ao reconhecer que afinal não dominava a língua mundial que os alunos pediam que lhes ensinasse. No fundo cada pessoa tem hoje de optar entre duas opções: ser uma pessoa que comunica com o exterior numa antiga língua local com 10 milhões de falantes ou ser uma pessoa que aceita várias mudanças na sua vida e na sua relação com uma língua viva com mais de 200 milhões de falantes.

Canal História

Na Venezuela, o Socialismo, e a Esquerda em geral, voltou a não resultar. O Banco Central da Venezuela confirmou que não há produtos de primeira necessidade como farinha, óleo, leite, açúcar, manteiga ou sabonete, nas prateleiras das lojas venezuelanas. Os inspectores do banco concluíram que há sérios problemas de abastecimento, tão sérios que ao problema tem de se chamar “escassez”. Os analistas explicaram que esta escassez se deve a muitos factores, a maior parte deles relacionados com a gestão do país. E, em primeiro lugar, põem a política de controlo dos preços por parte do Governo, que desmotivou os produtores e fez baixar os níveis de produção. Ou então produzem para exportar (sobretudo para a Colômbia), através de rotas de mercado negro onde conseguem lucros de 500%. A produção das empresas estatais também baixou consideravelmente, perante a escassez de matéria-prima (demasiado cara e de exportação) e as falhas constantes de energia. Toda a gente sabe que se um dia resultar, será em Portugal. Nunca seria no país com as maiores reservas de petróleo no mundo.

Death Metal Angola

(movie review of Death Metal Angola (2014), Directed by Jeremy Xido)
It is about civil war and rock. It is about poverty and resilience. It is about David and Goliath. It is about Wilker Flores and Angola. Death Metal Angola is a testimony to Humanity, a breathtaking and absorbing tale about heroes, dreams and determination. Music doesn’t know frontiers or cultures, so it doesn’t matter if you are in Portugal or in Angola, in Europe or in Africa, in the Earth or in Mars: Rock is Rock, and let’s celebrate it!

Breve História de Portugal

[crítica do livro Breve História de Portugal (1995), de A.H. de Oliveira Marques, publicado pela Editorial Presença]
Assumindo-se sem rodeios como “História para as massas” e evitando o aborrecimento dos factos, esta obra consegue construir magistralmente uma narrativa cronologicamente unificada e ao mesmo tempo excitante a partir de quase 900 anos de civilização portuguesa com os mais variados períodos e características. Através de uma análise profunda e imparcial da política, sociedade, economia e influências externas, percebemos como Portugal, na sua extensão territorial variável, no seu mosaico humano heterogêneo e na sua diversa elite governativa, se transformou numa das nações basilares da Humanidade.

Construir Preconceitos

No mesmo dia, durante a mesma tarde, o jornal Público faz uma demonstração de como criar preconceitos. Quando um crime ocorre em Sintra, na verdade ocorre numa freguesia específica, neste caso Massamá. Mas quando o crime ocorre na Amadora, o crime não acontece na freguesia, neste caso Damaia, mas sim em todo o município. No final do dia, existem cidades mais “perigosas” que outras realmente.

Despotismo Esclarecido

O Despotismo Esclarecido apareceu no século XVIII e embora partilhasse com o absolutismo a exaltação do Estado e do poder do soberano, era animado pelos ideais do progresso, reforma e filantropia do Iluminismo. Em Portugal, o Marquês de Pombal representou essa ideal que transformou o país e o projetou no futuro. Implementou uma única Lei a todas as classes, desde o povo até à alta nobreza, acabou com a escravatura em Portugal Continental, com os autos de fé e com a discriminação dos cristãos-novos, expulsou os Jesuítas de Portugal e das colónias, reorganizou o exército e a marinha, reestruturou a Universidade de Coimbra contratando prestigiados professores estrangeiros e equipando-a com aparelhos científicos modernos, criou companhias e associações corporativas que regulavam a atividade comercial e a sua administração ficou ainda marcada pelo terramoto de Lisboa de 1755, um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitectónico da cidade.

Para o Portugal do início do século XXI, talvez a resposta esteja no seu passado.

Crash Course de Socialismo

No caso da Meia Maratona de Lisboa, a regra é: só os inscritos e com dorsal podem aceder ao tabuleiro. Mas Armando Farias, da CGTP, garante que não é bem assim. “Em qualquer evento desportivo na ponte há inscrições e depois há milhares de pessoas que participam sem se inscreverem. Até a minha mulher já participou e não se inscreveu“, afirma. Ou seja, os trabalhadores honestos pagam a sua inscrição de modo à prova poder realizar-se, uma vez que são investidos “milhares de euros” na operação de segurança, nomeadamente no pagamento aos agentes da PSP, GNR e segurança privada, enquanto outros não vêm problema nenhum em aproveitarem-se (para não dizer roubar) do dinheiro dos primeiros para poderem realizar a mesma prova. Mais interessante é quando alguns dos últimos se consideram defensores de todos os trabalhadores.

Às 17h40, os professores decidiram permanecer no local e a dirigente do SPGL apelou aos professores que ali não estão para se juntarem à luta no ministério. Entretanto, alguns docentes que ali se encontravam, abandonaram o local. Às 18h10, o grupo ainda não tinha sido recebido. Pouco depois, decidiu que ficaria até às 20h00. Entretanto, os estudantes abandonaram o protesto por não serem considerados nas votações que os professores estão a fazer. Às 18h30, eram cerca de dez os que restavam.

Animal Farm