Nações Ibéricas

O que é uma nação? São os edifícios, as estradas, os tuneis ou as linhas virtuais colocadas em mapas e que chamamos fronteiras? Ou é o patrimônio imaterial composto pelo grupo de pessoas que se sentem “parte de algo”? Não sei quantas pessoas de Barcelona se sentem de Espanha ou da Catalunha, o que vi foi uma manifestação de lealdade a uma bandeira em toda a cidade.

E o que afinal junta pessoas distintas e tão diferentes ao ponto de se reconhecerem numa bandeira? Pessoas que se cruzam todos os dias e nem “Bom Dia” ou “Boa Tarde” dizem umas às outras. A Civilização tem fundações na Língua, História e Geografia. E nada mais forte existe, quando relembramos aos do presente os que morreram por essa bandeira, no derradeiro sacrifício do Homem.

Mas civilizações já existiram muitas. O que as mantem vivas é a Cultura, em todas as suas vertentes, e a vontade das pessoas que se identificam com essa civilização em a consumirem.

E como Português, da nação Portuguesa, sinto o dever histórico de lutar por uma Ibéria de Nações e nao Hispânica.

Corporação Parlamentar

Da Esquerda à Direita, o que interessa é manter o status quo que garante a uma máfia política com sede em Lisboa continuar a governar (e desgovernar) Portugal. O nosso parlamento prevê que as regiões estejam todas representadas (os tais deputados por círculo). Prevê, mas não garante, uma vez que pelas diversas regiões na sua maioria são deputados que vivem à décadas em Lisboa que se candidatam por essas mesmas regiões. E se os cidadãos se candidatassem ao parlamento sem dependerem de máquinas partidárias para defenderem o melhor para as suas regiões e Portugal? Do Bloco de Esquerda ao CDS-PP, todos os partidos deixaram ontem clara a sua intenção de voto quanto à possibilidade de cidadãos independentes poderem concorrer à Assembleia da República sem estarem alinhados em listas partidárias: chumbar. Partidos aplaudem a iniciativa mas dizem que Parlamento é para partidos.
O que fazem então os deputados eleitos pelos partidos para defenderem as suas regiões? Em 2017, Cristas é candidata à Câmara Municipal de Lisboa, mas no parlamento é deputada por Leiria. E foi no parlamento, onde é deputada por Leiria, que Cristas foi fazer campanha para a Câmara de Lisboa. Não basta o plano ser absurdo (20 novas estações para o metro), é também um desrespeito para com os seus eleitores de Leiria, utilizar o cargo para defender os interesses (?) dos Lisboetas. A não ser que a ideia das 20 estações seja ligar Lisboa a Leiria.

Felizmente, alguns fazem as perguntas necessárias: Deputados por regiões, para quando? Os deputados da Assembleia da República são eleitos por círculos eleitorais geograficamente definidos na lei, mas serão eles verdadeiros defensores dos interesses das regiões que representam? Não, até porque grande parte nem sequer é natural das mesmas e, durante o mandato, não as auscultam nem residem lá. Nas legislativas de 2015 Teresa Caeiro chegou a pedir “desculpa” à distrital do CDS/Algarve por ser candidata a deputada: “Desculpem lá o ambiente que eu vim causar. Também não tive culpa de ser nomeada pelo Paulo Portas para a lista de Faro.” 

Claro que mesmo que os deputados sejam de facto das regiões, o regime político de Abril de 1974 está feito para o resultado ser o mesmo. Em 2015, mais de metade dos 230 deputados da Assembleia da República foram eleitos em apenas cinco círculos, com o de Lisboa a escolher 47 parlamentares e o círculo do Porto 39. Além de Lisboa e Porto, o top cinco dos círculos que elegeram mais deputados integra ainda Braga, Setúbal e Aveiro. Em comparação, por exemplo, Portalegre apenas tem dois lugares no parlamento.